Que o crowdfunding está se popularizando em todo mundo, parece que todos sabem. No entanto ainda muito focado no público seleto geek das redes sociais, o crowdfunding aos poucos ganha mais adeptos para novas atividades. Em tempo, crowdfunding é um novo modelo de financiamento colaborativo a projetos diversos. Construído a partir das interações no ciberespaço, ele é reconhecido como uma “vaquinha” online.
No Brasil, especificamente, uma plataforma de financiamento colaborativo parece ser criada a cada dia, seja ela focada em um específico assunto ou mesmo abrangente a projetos culturais, como a maioria se apresenta.
A plataforma Queremos! uma das primeiras no Brasil, e uma das mais famosas, é específica para a produção de show musicais. Suas atividades se iniciaram nos idos dos anos de 2009 quando um grupo de amigos cariocas se empolgaram com a vinda de uma banda independente ao Brasil mas que não passaria na cidade do Rio de Janeiro. Assim, como bons fãs, juntaram tantos outros fãs e criaram um canal online de arrecadação financeira, para possibilitar que a banda Miike Snow desse um pulo de São Paulo ao Rio, fazendo um show também; no entanto este sendo todo financiado por fãs da banda. Conseguiram, e além de sucesso do show, a empolgação ultrapassou afetos fanáticos e foi o burburinho do momento.

Banda Miike Snow no show realizado pelo Queremos!
Denominados de “Cariocas Empolgados”, o grupo de amigos logo se viu em outra demanda, agora com a banda Belle & Sebastian, que foi sucesso de bilheteria, possibilitando que todos os financiadores deste show pudessem ter mais que uma recompensa. Agora, além das possibilidades de verem o show, todos os investidores do evento tiveram seu dinheiro investido estornado, ou seja, toda a quantia financiada para poder viabilizar o show foi devolvida, aparentando assim ser um empréstimo financeiro aos organizadores,.tendo como “juros” o ingresso de entrada para ver uma das suas bandas favoritas. Diante deste sucesso e já com outras demandas, o grupo de “Cariocas Empolgados” se tornou o “Queremos!” e criou uma plataforma online mais complexa, mas também mais segura, para a continuação dos projetos de shows musicais.
Nesse ínterim dos dois shows, surge a plataforma Catarse, a primeira plataforma de crowdfunding brasileira que, apresentando e ampliando a ação em solos tupiniquins, indiretamente auxilia também o grupo “Queremos!” a identificar suas ações pelo codinome crowdfunding. Rótulos postos, ambas as plataformas não pararam mais de multiplicar seus projetos e ações. E a cada dia, mais adeptos – tanto financiadores como proponentes de ideias legais – são adicionados nessas plataformas.

Mas toda ação de crowdfunding tem contas a serem pagas e respectivamente recompensas dadas a cada investidor, de acordo com o valor da cota. Sucesso vai, demanda vem, o conhecimento dos projetos via crowdfunding e consequentemente financiadores nestas plataformas parece estar conquistando cada vez mais a todos. Com o “Queremos!”, essa mudança ficou visível a partir do momento em que a plataforma deixou de ser apenas o grupo de organização de eventos via financiamento colaborativo e passou a ser o grupo responsável pela interligação de produtores, fãs e músicos para a realização de eventos por crowdfunding. Com demandas maiores e novos traçados organizacionais acionados, e tendo a maioria de suas transações financeiras por cartões de crédito, o que então parecia ser simples e mais seguro virou um tormento aos olhos da equipe “Queremos!”.
Mais pessoas conhecendo e confiando no formato do crowdfunding, mais shows acontecendo, com mais sucessos; consequentemente, mais estornos às empresas de cartão solicitados também. E por conta disso, não obtendo bons resultados diante do trâmite burocrático, a equipe começou a reformular a segunda mais valiosa recompensa da plataforma, o investimento para um show por ingresso “grátis”.
A partir de uma pesquisa com mais de 6 mil pessoas, os integrantes entenderam que a mais valiosa recompensa era a idealização do show da banda proposto, e assim, mudaram a recompensa de estorno do valor investido pelos “ingressos-reembolsáveis”, por créditos futuros para um próximo show de interesse do financiador. Ou seja, o investidor que financiar 9 shows terá o seu décimo show escolhido gratuito para assistir. Até então parece que o público gostou, e como recompensa a todos os empolgados da plataforma que já investiam antes da mudança, resta um presentinho: todos os investimentos passados também serão contabilizados para a nova forma de recompensa. E aí gostou?