Os aplicativos desenvolvidos para smartphones e tablets oferecem uma forma bem particular de acessar a internet. Se num primeiro momento, o grande representante do mundo online era o browser, nos últimos anos, os apps vêm oferecendo uma via de acesso ao ambiente online que passa ao largo dos websites. Em artigo para a Wired, Chris Anderson trata desse fenômeno como um novo paradigma da internet. Segundo dados apresentados por ele, já em 2010, o conteúdo visto no navegador representava menos de 1/4 do tráfego online. Grande parte do restante dessa navegação está justamente no acesso aos aplicativos móveis.
Segundo a Abinee, no Brasil, celulares “comuns” ainda são mais vendidos do que smartphones. Em uma perspectiva global, no entanto, o panorama é justamente o contrário. Dados como esses apontam que o universo dos aplicativos ainda é um mercado em expansão, onde novos modelos de negócios são testados e explorados a todo o tempo. E mais do que isso, é uma plataforma para o desenvolvimento de novas linguagens, seja no âmbito do trabalho, da educação, da informação ou do entretenimento.
No caso da música, alguns apps se destacam não apenas no sentido de explorar as potencialidades dos dispositivos móveis, mas também de gerar novas formas de receita para artistas.
Em 2011, a artista islandesa Björk lançou o álbum Biophilia. Além de usar os suportes “tradicionais”, Björk se reuniu com um time de especialistas, artistas e programadores para criar um “album-app“, um aplicativo que deveria traduzir nas telas dos smartphones e tablets os universos temático e sonoro usado em seu trabalho. No aplicativo, os usuários podem interferir nas músicas e explorar suas estruturas, tudo isso acompanhado de imagens e vídeos.

Outros artistas, como Philip Glass e Blue Brain, também utilizaram apps para “adaptar” o formato álbum aos dispostivos móveis, ao mesmo tempo que explorando linguagens e potencialidades oferecidas pelo aparelho.
Para Scott Snibbe, um dos desenvolvedores por trás de Biophilia e de Rework_ (Philip Glass), o album-app aponta para uma experiência de imersão que remonta à escuta de vinis. Para o artista e programador, enquanto a música digital vinha oferecendo um consumo mais distraído, os albuns-app vêm trazer de volta atenção dos ouvintes para a música. “A diferença é que agora o encarte, as fotos, tudo está em movimento, tudo tem vida.” – Scott Snibbe, em entrevista para O Globo sobre o app Biophilia.

Polêmicas sobre a ideia de imersão à parte – pelo menos, por agora – os albuns-app apresentam a reconfiguração de um formato (o álbum) em um suporte (os apps) que é cada vez mais tido como referência quando se trata do uso da internet. Quais as consequências disso para a indústria fonográfica? Como explorar as potencialidades dos aplicativos móveis para a produção, distribuição e consumo de música? Essas são algumas das perguntas que vamos tentar discutir em um próximo post. Até lá!