Recentemente temos acompanhado via redes digitais as manifestações populares ocorridas no Brasil a partir do mês de junho de 2013 e o movimento Passe Livre. Em meio às passeatas, um grupo se destacou por transmiti-las em tempo real via web: o Mídia Ninja. Ninja é uma sigla criada pelo grupo para “Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação”.
A atuação dos Ninjas nas passeatas resume-se basicamente a transmissões via dispositivos móveis conectados à plataforma Twitcasting. O “Ninja” narra o que vê e apresenta uma visão totalmente parcial de quem não está apenas reportando os acontecimentos, mas participando ativamente deles. Um caso em que isto ficou claro foi na prisão de dois de seus integrantes – Filipe Peçanha e Felipe Assis, no dia 21/07/2013, sob alegações da Polícia Militar de que “estavam incitando a violência”. No vídeo da prisão, é possível perceber o apoio popular que os Ninjas receberam: muitos manifestantes gritavam repetidamente frases como “libera a Mídia Ninja”.
A transmissão Ninja tem características de youtubidade (BURGUESS; GREEN; 2009) relacionadas a um determinado amadorismo nas transmissões. A experiência de quem acompanha é a de estar inserido na cena: a câmera treme, o Ninja corre, por vezes discute com policiais ou perde o sinal da internet; os espectadores comentam a todo o tempo as transmissões via Twitter e Facebook, podendo ser acompanhadas na página do Twitcasting.
A Mídia Ninja envolveu-se também em disputas acerca do papel do jornalismo na sociedade, da influência das mídias digitais e da questão de sua sustentabilidade. Muitos têm sido os embates via redes sociais e mídia impressa. Mas, talvez o de maior destaque, tenha sido do programa Roda Viva na TV Cultura.
https://youtu.be/vYgXth8QI8M
No programa, foram convidados Bruno Torturra e Pablo Capilé representando a Mídia Ninja. Dentre os entrevistadores, Suzana Singer (Folha de São Paulo), Alberto Dines (Observatório da Imprensa), o apresentador Mario Sergio Conti e um problema no ar: ninguém conseguia entender como se sustentam os Ninjas. Os conceitos são abstratos e um tanto quanto inéditos dentre os modelos de negócios tradicionais. Aqui, me proponho a explicar ao menos parte desta sustentabilidade e tentar, ao mesmo tempo, refletir sobre determinadas formas de consumo em nossa sociedade.
O Mídia Ninja foi criado em meio ao Circuito Fora do Eixo, rede de trabalhos que emergiu a partir de parcerias entre produtores e músicos independentes inicialmente através do Espaço Cubo (Cuiabá – MT), com produtores de Rio Branco (AC), onde promoviam intercâmbios de bandas e palestras sobre música e produção cultural. As parcerias foram se intensificando e novos agentes se juntaram ao Circuito Fora do Eixo. Atualmente, o circuito possui coletivos culturais espalhados por todo o Brasil e também atua de forma significante em países da América Latina como Argentina, Chile e Venezuela, além de outros países mais recentes, como a Inglaterra, através do Un-Convention. O funcionamento do Fora do Eixo está estreitamente ligado ao surgimento das novas mídias digitais, abrindo um grande debate sobre circulação de informação, direitos autorais, software livre e economia solidária. Tais princípios de economia solidária são muito difundidos pelo teórico Paul Singer:
“Na cooperativa de produção, protótipo de empresa solidária, todos os sócios tem a mesma parcela do capital e, por decorrência, o mesmo direito de voto em todas as decisões. Este é o seu princípio básico. Se a cooperativa precisa de diretores, estes são eleitos por todos os sócios e são responsáveis perante eles. Ninguém manda em ninguém” (2002, p. 1, 2).
Este princípio descrito por Singer rege a organização entre os produtores ligados ao Fora do Eixo. Em tese, não haveria competição formal, mas sim uma rede em busca de resultados que possam trazer vantagens a todos. O Circuito Fora do Eixo baseia-se no crescimento de toda uma cultura digital, que surge através da ideia de máximo compartilhamento de informação que as mídias digitais proporcionariam. Logo, tal compartilhamento de sabedorias e conhecimentos seriam integrantes da solidariedade defendida por Singer e também resultam em processos de reconfiguração do consumo, como é o caso do Fora do Eixo Card.
Quantificando a “brodagem”: o Fora do Eixo Card
CuboCard2
Um interessante passo dado nesta direção é a criação das moedas complementares. Em uma entrevista ao SESC São Paulo em 2010, Ney Hugo (integrante do Fora do Eixo) dá sinais do funcionamento do Cubo Card, moeda complementar criada em Cuiabá:
“A perspectiva sempre foi viabilizar; então, isso que era essa brodagem, emprestar guitarra, emprestar amplificador, que quando começou a ter uma movimentação independente tinha muito isso como um fator de viabilização disso tudo, a moeda vem pra sistematizar essas trocas. Então, o que era brodagem passa a ser uma troca sistematizada e valorada. Você acaba cortando caminhos, o que precisaria ser o cara ter um emprego pra ter o dinheiro pra pagar a gravação da banda, hoje ele trabalha dentro daquele processo e já recebe em cards e com os cards ele pode gravar o CD dele, ensaiar, ele pode fazer uma parceria para conseguir passagem pra ir tocar em algum lugar, restaurante, serviço de papelaria, agência de viagens… porque a gente busca estabelecer esses links com a iniciativa privada, pra moeda ser aceita tanto nos serviços da rede quanto em restaurante mesmo”.
A fala de Ney Hugo chama atenção para algumas relações de consumo que o Circuito Fora do Eixo busca configurar em seu processo produtivo: a sistematização e valoração da “brodagem” no circuito da música independente. Correa (2012) apresenta o Espaço Cubo (ou Coletivo Cubo) como pioneiro nestas ações de trocas simbólicas, através da criação do Cubo Card, em 2003. Pablo Capilé explica a criação da moeda:
“A gente precisava criar uma alternativa que estabelecesse um equilíbrio. Em espécie, a gente não ia conseguir pagar, mas poderia estabelecer uma troca solidária. A banda começou a receber o card em troca dos shows que fazia. Ela recebia 300 cards e podia ter um estúdio de ensaio, um estúdio de gravação, uma assessoria de imprensa”.
Mary Douglas aborda o fato de que bens de consumo “estabelecem e mantêm relações sociais” e que “o consumo é a própria arena em que a cultura é objeto de lutas que lhe conferem forma” (2004, p. 105). Desta maneira, a moeda Cubo Card confere poder simbólico ao circuito dentro desta arena de disputas. Assim, o Fora do Eixo busca viabilizar trocas de serviços que normalmente não são valorados ou que não costumavam entrar no sistema de trocas, pois, “na maioria das culturas conhecidas no mundo, há certas coisas que não podem ser vendidas e compradas” (Douglas, M., 2004, p. 103). Kopytoff vai adiante e afirma que
“do total de coisas disponíveis numa sociedade, apenas algumas são apropriadamente sinalizáveis como mercadorias. Além do mais, a mesma coisa pode ser tratada como uma mercadoria numa determinada ocasião, e não ser em outra… essas mudanças e diferenças nas circunstâncias e nas possibilidades de uma coisa ser uma mercadoria revelam uma economia moral subjacente à economia objetiva das transações visíveis” (2008, p.1).
Ao abordar a questão das esferas de troca durante o período colonial do povo Tiv, da Nigéria Central, Kopytoff cita três universos distintos de valores de troca: itens de subsistência, itens de prestígio e a esfera dos direitos-na-forma-de-pessoas, sendo que os itens de cada esfera eram trocáveis entre si. O autor aborda o problema de equivalência de valores em relações de trocas e a dificuldade de se agrupar diferentes itens em uma única esfera de mercadorias:
“essa dificuldade fornece a base natural da construção cultural de esferas de troca distintas. A cultura assim se dedica à tarefa mais modesta de criar equivalência de valor dentro de diversas esferas específicas de mercadorias” (2008, p.6).

No Fora do Eixo, os coletivos parecem trabalhar em cima desta necessidade de equivalência de valores em diferentes esferas de trocas, buscando igualar esferas de prestígio, subsistência e direitos-na-forma-de-pessoas, mas trabalhando também com a ideia de relações de reciprocidade, onde
“dá-se um presente para evocar uma obrigação de retribuir outro presente, o que por sua vez evocará uma obrigação similar, formando uma cadeia infindável de presentes e obrigações. Os próprios presentes dados nessas trocas podem ser coisas normalmente usadas como mercadorias (comida, festas, bens de luxo, serviços), mas cada uma dessas transações não é descontínua e, em princípio, nenhuma delas é terminal. O fato de uma coisa ser vendável por dinheiro ou intercambiável por uma grande quantidade de coisas significa ter algo em comum com uma grande quantidade de coisas passíveis de troca que, tomadas em conjunto, compartilham de um único universo de valores comparáveis” (Kopytoff, 2008, p. 95).
Marcel Mauss, no livro “Ensaio sobre a Dádiva (2001)”, aborda também trocas constantes de ‘dádivas’ (presentes, visitas, festas, comunhões, esmolas, heranças etc), mostrando um caráter universal dessas dádivas, analisando o que considerou sociedades ‘primitivas’ da Polinésia, do Oceano Índico, da Melanésia e noroeste americano, e como realizavam distribuições de bens (potlatch) entre tribos. Mauss afirma que o sistema das dádivas trocadas está impregnado “em todos os sentidos, por dádivas dadas, recebidas, retribuídas, obrigatoriamente; e por interesse, por grandeza e por serviços, em desafios e em apostas” (MAUSS, 2001, p. 97).
As trocas realizadas entre os coletivos do Fora do Eixo trazem, portanto, muito deste caráter de dádivas recebidas e retribuídas. Alguns coletivos possuem moedas próprias impressas e realizam sistemas de trocas diversos. O Fora do Eixo possui uma página no Facebook onde divulga e celebra cada troca simbólica realizada pelos coletivos.

A postagem acima revela uma das formas como o Fora do Eixo trabalha o consumo e suas esferas de troca: “Vitão, além de MC é também encanador e colocou sua força de trabalho na roda pra fortalecer as movimentações locais”. Vitão, no caso, é um dos colaboradores do Enxame Coletivo (ponto cultural do Fora do Eixo localizado em Bauru-SP), e sistematizou a economia baseada em trocas, onde músicas, shows, divulgação online e até encanamento – tudo pode ser valorado e trocado com o Fora do Eixo Card.
As trocas realizadas pelos coletivos possibilitam a criação de espaços culturais e até o translado de produtores, como me explicou Carol Tokuyo (em um entrevista para o portal Overmundo em outubro de 2010), sobre a relação do coletivo Massa (São Carlos – SP) com sua moeda, os Marcianos:
“Conseguimos negociar em Marcianos até mesmo a mudança de uma das integrantes do coletivo para nossa cidade. Existem casos dentro do Fora do Eixo em que a moeda abrange muito mais do que 50% da sustentabilidade do coletivo. Entendemos a moeda como um grande avanço na valorização do próprio coletivo”.
No blog do Cubo Card, encontramos uma vasta explicação sobre o funcionamento da moeda. Eles apresentam o Cubo como um sistema criado para “incentivar a troca de produtos e serviços entre os segmentos do Espaço Cubo e outros setores externos que queiram participar dessa proposta, tais como lojas especializadas em instrumentos musicais, lojas de roupas etc”.
A postagem, de julho de 2006, apresenta como base de cálculo a moeda Real, com cada crédito correspondendo ao valor de R$ 1,50. Segundo eles, os valores dos serviços e produtos oferecidos “serão computados em reais e depois calculados no formato de crédito”. O blog apresenta então um exemplo ilustrativo de como a moeda é valorada:
“A produção de um jingle de trinta segundos custa em média R$ 500,00. Estes R$ 500,00, divididos pelo valor do crédito do Cubo Card que é de 1,5c, oferecem então como resultado 330 créditos. As bandas, empresas, prestadores de serviços e pessoas físicas poderão também participar, comprar e trocar por serviços. O Cubo Card não comprará os créditos, apenas trocará por serviços e produtos. A avaliação do patrimônio e a média anual de receitas do Espaço Cubo servirão de base para calcular qual é o valor inicial em créditos que o Sistema de Crédito Cubo Card (SCCC) irá dispor para implementação do mesmo”.
Eles afirmam então que o pagamento para qualquer investimento em alguma das frentes/segmentos do circuito será feito mediante créditos. Ex:
“O Espaço Cubo compra cinco microfones para a Cubo Sonorização. Esta não pagará em reais para o Espaço Cubo, mas com créditos. O Cubo Card será proposto como moeda de troca para outras empresas. Assim, uma empresa não só patrocinará ou apoiará as ações do Espaço Cubo, ela receberá créditos do Cubo Card como troca pelo seu patrocínio ou apoio. Assim ela poderá utilizar seus créditos com quaisquer serviços ou produtos do Cubo. Exemplo: A Intertour patrocinou um evento com R$ 1.000,00. Ela receberá em troca, por exemplo, 50% do valor em créditos, ou seja: 334c, ela poderá utilizar esses créditos para colocar um Mega Banner no site do Espaço Cubo, que custa 266c. Assim deixa de ser um patrocínio e se torna uma troca”.

Em São Paulo, a Casa Fora do Eixo também desenvolve trocas com os negócios locais, como demonstra a imagem acima:
“Aceita-se card! Uma economia sustentável é possível. Tanto que cada vez mais estabelecimentos aceitam como forma de pagamento as moedas complementares… em São Paulo, a Casa Fora do Eixo São Paulo inova mais uma vez. Além do Posto Lavapés, o Mercado Tieiri começa a estabelecer trocas  com a casa por meio da moeda”.
Logo, as trocas realizadas por estes coletivos trabalham no sentido de absorver valores de trabalho (de encanamento a produção de shows) e de produtos (sejam de subsistência ou até mesmo os discos, camisas e acessórios produzidos pelos artistas). Possibilitam a criação de eventos culturais e casas onde os integrantes do Fora do Eixo moram e dividem bens e trocas simbólicas.
Gestão financeira compartilhada: o caixa coletivo
Mas, como cada coletivo desenvolve o sustento dos produtores e a continuidade de seus projetos? São particularidades e detalhes de cada região que influenciam no processo como um todo. A sustentabilidade do Fora do Eixo também passa por conceitos como dedicação exclusiva e o caixa coletivo. Chama a atenção, por exemplo, a experiência do Coletivo Massa, de São Carlos, SP. Em minha pesquisa para o Overmundo, em outubro de 2010 , Carol Tokuyo, então integrante do coletivo, me relatava que o Massa possuía nove pessoas em dedicação exclusiva às suas atividades e mais onze colaboradores com participação esporádica.
Segundo ela, suas atividades iniciaram-se em 2008, com três pessoas envolvidas diretamente. Para desenvolverem ações estruturantes durante todo o ano, enxergaram a dedicação exclusiva como essencial para manter o foco na cena cultural de São Carlos e atender às necessidades cotidianas, como eventos regulares, participações no Conselho Municipal de Cultura e outras instâncias políticas e ampliação dos parceiros locais. “O coletivo cresceu de maneira gritante, a dedicação exclusiva trouxe automaticamente a sustentabilidade ao grupo”, declarava Carol Tokuyo.
Na gestão financeira, entra o Caixa Coletivo, sistema utilizado pela maior parte dos grupos associados ao Circuito Fora do Eixo. Trata-se de uma conta onde toda entrada é depositada e retirada de acordo com a demanda de cada um, sem regras pré-estabelecidas. Cada retirada é feita em grupo, com valores altos sendo debatidos presencialmente e valores baixos sendo apenas anotados. As operações financeiras do Fora do Eixo são muitas vezes realizadas através dos CNPJs dos coletivos, como me explicava uma de suas representantes, Lenissa Lenza:
“Os coletivos podem depositar na conta do Fundo (FdE) o que lhes é conferido pelo regulamento, ou acionar a gestão para poder operar diretamente a verba, conforme direcionamento do conselho. O Fundo tem um conselho gestor formado por representantes de todas as frentes do circuito”.
Mas não é somente na sustentabilidade financeira que os grupos se baseiam. Carol Tokuyo ressalta outros pontos importantes na autogestão:
“Acreditamos na sustentabilidade em vários âmbitos: a social, que define as relações que estabelecemos com vários parceiros e também entre os membros do próprio coletivo; a política, através da ocupação dos conselhos de cultura, espaços de participação popular, articulação nas câmaras e parceria com grupos culturais da cidade, garantindo assim, maiores chances nas aprovações dos projetos; e a ambiental, na busca pela redução de custos de matérias-primas”.
Em um vídeo produzido nas Oficinas Culturais Hilda Hilst (SP), Eliza Mancuso, uma das integrantes do Coletivo Ajuntaê (Campinas – SP), explica o funcionamento e sustentabilidade do grupo:
“Aqui no coletivo a gente não tem salário fixo, a gente tem um caixa coletivo; todas as entradas vão para esse caixa e a gente divide qualitativamente, não quantitativamente. Então, conforme as demandas, a gente vai retirando dinheiro deste caixa, pra pagar as contas, fazer compras no mercado, sair, tomar uma cerveja…”.
O Fora do Eixo associa suas trocas solidárias à captação de recursos estatais e de empresas privadas. Para isso, conta com bancos de dados (Veja aqui e aqui na ferramenta “Google docs”, para quem quiser consultá-lo. Lá, estão cadastrados todos os projetos do circuito, aprovados ou não, possibilitando a troca de informações e a capacitação da rede em angariar recursos.
Mídia Ninja e webjornalismo participativo
Ninja_WiFi
A Mídia Ninja é mais um dos braços de comunicação do Fora do Eixo, que também conta com o Camelô 2.0 (distribuição), Clube de Cinema FdE (audiovisual) e Universidade Livre Fora do Eixo (ensino e compartilhamento de tecnologias sociais), dentre outras frentes de trabalho. A Mídia Ninja surge no Fora do Eixo a partir do conceito de Midialivrismo. Basicamente, seria a ideia de que cada cidadão (preferencialmente conectado à internet) pode colaborar na construção de uma grande narrativa jornalística digital.
Com isso, cria-se um batalhão de colaboradores que permanentemente produzem conteúdo, com suas câmeras e/ou celulares, em forma de vídeo, fotografia ou textos, utilizando blogs e redes sociais, possibilitados pela mobilidade informacional a partir de tecnologias em “expansão com a disseminação de dispositivos móveis” (LEMOS, 2010, p. 1). A ideia de liberdade comunicacional e livre circulação de informações está presente no próprio nome Midialivrismo: seria uma mídia livre, isenta de pressões e “manipulações” externas.
Discursando sobre webjornalismo participativo, Alex Primo e Marcelo Träsel levantam algumas condições tecnológicas que simplificam a publicação e cooperação na rede, “no processo de redação, circulação e debate de notícias (p 40)”, favorecendo o surgimento deste webjornalismo participativo:
“Maior acesso à Internet e interfaces simplificadas para publicação e cooperação online; popularização e miniaturização de câmeras digitais e celulares; a ‘filosofia hacker’ como espírito de época; insatisfação com os veículos jornalísticos e a herança da imprensa alternativa” (p. 39).
Ao levantar o debate sobre jornalismo e o papel dos meios massivos de comunicação, o Circuito Fora do Eixo direciona suas redes de trabalho ao ativismo digital. Trata-se de um complexo modelo de negócios envolvendo conceitos diversos e uma ampla cadeia comunicativa que vem se desenvolvendo no Brasil. Para além de simpatias e ojerizas; desconfianças e aplausos; é importante observarmos caminhos criativos que surgem em tempos de cibercultura. O modelo de negócios do Fora do Eixo pode muitas vezes não contemplar a todos os artistas, bandas e/ou produtores; pode por outras vezes não ser muito claro em toda sua amplitude; mas é um interessante caso para repensarmos ativismo digital, consumo e reconfigurações no circuito da música nacional.
Referências:
BURGUESS, J.; GREEN, J. (2009). Youtube e a revolução digital: como o maior fenômeno da cultura participativa está transformando a mídia e a sociedade. São Paulo: Aleph.
CORREA, Wyllian Eduardo de Souza. Produção, comunicação e Consumo Musical no Brasil no início do século XXI: o estudo de caso dos festivais de música independente realizados no país e vinculados à Abrafin. Rio de Janeiro: Dissertação de mestrado, UFRJ, 2012.
DOUGLAS, Mary; ISHERWOOD, Baron C. O mundo dos bens: para uma antropologia do consumo. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2004.
KOPYTOFF, Igor. A biografia cultural das coisas: a mercantilização como processo. In: APPADURAI, ARJUN. A vida social das coisas. Niterói: EDUFF, 2008.
LEMOS, André. Mídias locativas e vigilância. Sujeito inseguro, bolhas digitais, paredes virtuais e territórios informacionais. In: BRUNO, Fernanda; KANASHIRO; FIRMINO, Rodrigo (Org.).  Vigilância e Visibilidade: espaço, tecnologia e identificação. Porto Alegre: Suli, 2010. p. 61-93.
PRIMO, Alex; TRÄSEL, Marcelo. Webjornalismo participativo e a produção aberta de notícias. Contracampo, UFF. 2006.
SINGER, Paul. Introdução à Economia Solidaria. Perseu Abramo, 2002.