https://youtu.be/p8XEeFK-LX8

A banda pioneira do rock feminino, formado só por garotas e apontada como influência para muitas bandas é a Runaways. Neste video, a vocalista canta de lingerie e geme sensualmente entre as estrofes, o que nos traz a questão da representação feminina no rock. Montar uma banda de rock feminino e se apresentar de forma sensual seria banalizar a representação feminina na sociedade?
Algumas bandas femininas recriam simbolismos sem se preocupar com esta representação. Não há problema em se sentir sexy e se apresentar desta forma. Se os homens podem, porque elas não?
Essa tensão de representatividade feminina varia muito de acordo com as bandas. Porém, existe sempre o discurso de que rock também é para mulheres, tornando o rock uma arena de disputas simbólicas onde também entra a questão do gênero masculino e feminino. As simbologias das bandas variam: algumas são masculinizadas; outras com discurso politizado. Algumas com apresentação sensual, outras negando qualquer tipo de sensualidade.
A arena de disputas por representatividade também se dá nos shows, alguns criados exclusivamente para bandas de rock feminino, verdadeiros campos de negociação, reafirmação e sociabilidade dentro desta arena de disputas tomada pelo rock, gênero musical prioritariamente machista.
Desde o surgimento do gênero, as mulheres têm adentrado este universo, como por exemplo, a cantora Janis Joplin. Mas, aos poucos, foi-se criando uma certa cultura de resistência feminina no rock, que resultou em movimentos como as Riot Girrls, com bandas formadas exclusivamente por meninas e temáticas feministas, que apontam como principal influência as Runaways.

Em um gênero musical excessivamente machista, já é muito simbólica a própria criação em si de uma banda de rock só com meninas. Empunhar uma guitarra e tocar bateria torna-se um ato de resistência e distinção. Os instrumentos musicais, por sua vez, adquirem status simbólicos de disputas e negociações de gênero (feminino e masculino) dentro do gênero musical rock.
Em 2010, foi lançado um filme sobre as Runaways, dirigido e roteirizado por Floria Sigismondi. Adaptado do livro Neon Angel: A Memoir Of The Runaways (de Cherie Currie, vocalista da banda), o filme aborda o período entre 1975-1977 do ponto de vista da cantora, que na produção é interpretada por Dakota Fanning. A banda também contou com outras instrumentistas de renome, como a guitarrista Lita Ford e a cantora e guitarrista Joan Jett, que mais tarde faria muito sucesso com a canção I Love Rock N’ Roll, já com o fim das Runaways.
Confira aqui o trailer do filme: